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Mulher que teve relação sexual com morador de rua fala de ataques e recuperação de surto

Familiares acreditam que comportamento de Sandra tem a ver com a religião

Mulher que teve relação sexual com morador de rua fala de ataques e recuperação de surto
Foto: Antônio Molina/Folha de S.Paulo
Foto: Antônio Molina/Folha de S.Paulo

Sandra Mara Fernandes, 34 anos, teve a vida transformada após ter tido relação sexual com um morador em situação de rua – Givaldo Alves de Souza, 31 -, em março deste ano, dentro de um carro, na cidade de Planaltina no Distrito Federal.

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Em entrevista à Folha de S.Paulo, Sandra conta que por causa do episódio passou a sofrer ataques nas redes sociais e em aplicativos de conversa. Diz que recebe muitas mensagens com xingamentos e insultos de cunho sexual, entre outras ofensas que considera como humilhantes.

Sandra tinha uma loja de roupas que precisou vender para mudar-se de cidade. O marido, o personal trainer baiano Eduardo Alves, também é alvo de agressões em suas redes sociais de uso profissional. Na Justiça, a empreendedora obteve uma liminar proibindo Gilvado de falar publicamente sobre ela. Procurado, Givaldo não respondeu aos questionamentos.

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“Ele me expôs como mulher, como ser humano, ele me atacou de todas as maneiras possíveis, então, ele acabou ali com a minha moral. Criaram perfis falsos em meu nome usando as minhas fotos. A população acreditou que tudo aquilo que ele falou era verdade”, disse Sandra à Folha.

“Vivemos numa sociedade machista e por isso tenho sofrido ataques. O que mais me dói nesses ataques é quando eu sou atacada por outras mulheres. Porque vir de outra mulher é muito sofrido”, diz.

Em tratamento psiquiátrico, Sandra diz que evita sair à rua para não sofrer mais humilhações.

Ela parece ter forte ligação com a religião e se converteu evangélica quatro dias antes do episódio que mudaria sua vida.

À Folha, ela contou detalhes do que aconteceu naquele dia. Era período da tarde e Sandra estava com a sogra e a filha na rua quando uma pessoa apareceu querendo ver a Bíblia que ela lia.

No que mais tarde foi diagnosticado como um surto psicótico, fruto de um transtorno bipolar ainda por ela desconhecido. Sandra diz ter visto naquele homem à sua frente a representação de Deus e também de seu marido.

Já sem a companhia da filha e da sogra, voltou a procurar o homem momentos depois. Os dois conversaram e foram de carro até uma área deserta. Lá aconteceu o ato sexual.

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Na sua mente, afirma Sandra, havia um propósito naquilo tudo: realizar o desejo do marido, da sogra e o seu próprio de mudar de vida financeiramente.

Ela imaginava que transar com quem enxergava ser a figura de Deus e do marido poderia realizar o sonho da família de ter uma vida melhor. Na alucinação, relata, isso a levaria a ganhar na Mega-Sena. O jogo naquele momento pagava mais de R$ 100 milhões ao vencedor, dos quais R$ 10 milhões ela afirma que iria doar para a sua igreja.

Eduardo viu os dois no carro e agrediu o homem. Uma câmera registrou o caso, que virou uma ocorrência policial. Sandra foi levada ao hospital ainda atônita, sem entender o que aconteceu, e lá recebeu documentos e orientações que costumam ser fornecidos a pessoas que podem ter sido vítimas de abuso sexual.

Depois de medicada, foi levada para casa, onde teve mais dois surtos. Em um, conta ela, achava que seu pai, a madrasta e o sobrinho eram Satanás. Segundo ela, precisou ser levada amarrada para um hospital, onde foi internada para tratamento psiquiátrico.

O nome de Givaldo, de acordo com Sandra, só foi saber 15 dias depois. Aí, diz, finalmente se deu conta de que ele não se tratava de uma “divindade”.

“Comecei a ter crises de ansiedade e tiveram que reforçar um medicamento. Comecei a dormir mais do que ficar acordada. Como mulher, comecei a sentir nojo de mim. Tive uma crise em que me perfurei 28 vezes com uma caneta, por não aceitar aquilo. Eu não queria aceitar que aquilo tinha acontecido realmente”, afirma.

Sandra teve alta após um mês. Ainda era cercada de cuidados: se isolou de notícias sobre o caso, que àquela altura já havia ganhado grande repercussão, após uma série de entrevistas concedidas por Givaldo.

Sandra precisou contratar uma equipe para cuidar de suas redes sociais. Ela teme voltar a lidar com o mundo virtual das redes e acionar um novo gatilho, desencadeando uma nova crise psicótica.

Ela afirma que nunca mais se encontrou com a sogra, pois ainda não está preparada para vê-la.

Atualmente, Givaldo vive no Rio de Janeiro. Desde que o caso eclodiu, ele apareceu em diversos programas de televisão e jornais. Passou a ser agenciado por um empresário, Diego Aguiar, conhecido por intermediar negociações de bitcoins. A Folha tentou localizar Diego, mas não conseguiu contato até o dia 1º de maio, data de publicação deste texto.

Sandra diz que, até o episódio, não sabia que era bipolar. Achava que seus picos de euforia e tristeza aconteciam em razão da depressão, diagnosticada após a morte da mãe.

“É uma doença grave, né? Para mim, é tudo muito novo. Hoje sei que tudo aquilo que passei era por conta de uma doença que eu já carregava. Olhando para trás, tenho consciência que episódios que eu tive faziam parte da doença que eu já tinha e não sabia”, afirma.

Agora, Sandra diz que se afastou da igreja, mas não perdeu a fé.

“Estou afastada da igreja por meus familiares acreditarem que o meu surto tem a ver com a religião. Por enquanto, estou lendo a Bíblia e tenho minha fé mais ainda, mas ainda não me sinto preparada para voltar para igreja, nem católica nem evangélica”, diz.

“Não estou preparada para continuar em uma religião. Não sei como vai ser futuramente, mas por enquanto a única certeza é que não preciso me colocar dentro de uma igreja para que minha fé em Deus se mantenha”, afirma.

Assim que recebeu alta, Sandra usou as redes sociais para desabafar. Na postagem em seu instagram, ela escreve um texto longo [leia abaixo] e aparece em uma foto com o marido.

Veja o que ela escreveu:

Olá! Me chamo SANDRA MARA FERNANDES, sou a mãe da Anna Laura e a esposa do Eduardo Alves. Venho através desta postagem agradecer as pessoas que se levantaram para me defender quando eu não tinha condições.

Passei por dias muito difíceis, nunca me imaginei naquela situação. Eu me sinto profundamente dilacerada pelo ocorrido. Hoje eu tenho ciência de tudo o que foi dito enquanto eu estava internada e sendo cuidada por médicos, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e outros profissionais.

Fui VÍTIMA de chacotas, humilhações em rede nacional. Fui taxada como uma mulher qualquer, uma mulher promíscua, uma mulher com fetiches, uma traidora. E mais ofendida ainda por ter sido atacada por outras mulheres que entenderam que eu merecia o pior.

Eu sempre soube que vivemos numa sociedade desigual, mas eu NÃO escolhi ter um SURTO, eu NÃO escolhi ter sido HUMILHADA, eu NÃO escolhi ter minha vida EXPOSTA e DEVASTADA! Então, na condição onde estive eu sei que tinha legítimo DIREITO de ser DEFENDIDA. Agradeço ao meu esposo por tudo que ele fez por mim. Ele me defendeu durante e depois do ocorrido, pois sabe que em condições normais eu jamais teria permitido passar por aquilo. Agradeço também ao meu pai, minha madrasta, meus irmãos e amigos, que me acolheram e ajudaram o Eduardo e a Anna Laura.

Sou profundamente grata aos profissionais que me ajudaram a compreender o que estava acontecendo quando eu já NÃO TINHA domínio da minha própria vida. Hoje eu busco na JUSTIÇA os meus DIREITOS, pois nunca faltei com respeito com ninguém e não merecia ter sido tratada como uma qualquer, e, principalmente, ter sido usada como OBJETO de prazer durante DELÍRIOS e ALUCINAÇÕES que confundiram minha mente e me colocaram num contexto NOJENTO e SÓRDIDO. Sigo BATALHANDO, um dia de cada vez, para retomar à minha existência e vou conseguir porque DEUS é maior e infinitamente bom!

 

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