Na manhã desta segunda-feira (22), cerca de 500 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) realizaram um protesto, interrompendo o tráfego em diversos trechos das rodovias BR-101 e BR-263, na Bahia. Os pontos de bloqueio estão localizados no extremo sul do estado, nos municípios de Teixeira de Freitas, Itamaraju e Itabela, e em Itambé, na região sudoeste.
De acordo com o Movimento, o ato de paralisação é uma manifestação de solidariedade ao povo pataxó Hã-Hã-Hãe, que foi alvo de um ataque violento perpetrado por milicianos fazendeiros no último domingo (21). Durante o ataque, Maria de Fátima Muniz de Andrade foi assassinada, e diversas pessoas, incluindo o Cacique Nailton Muniz, ficaram feridas.
Em repúdio à ação dos fazendeiros, o MST emitiu uma nota exigindo uma investigação rápida por parte das autoridades estaduais. O Movimento denunciou a atuação do grupo como um “estado paralelo”, que desrespeita a lei e promove ações criminosas na Bahia.
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) divulgou informações indicando que aproximadamente 200 ruralistas da região se organizaram por meio de um aplicativo de mensagens. Eles agiram para retomar, sem decisão judicial, a posse da Fazenda Inhuma, que havia sido ocupada por indígenas no último sábado (20).
A Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) afirmou que o ataque foi realizado por um grupo autodenominado “Movimento Invasão Zero”. Em resposta, a secretaria determinou o reforço do patrulhamento ostensivo na região, próximo às cidades de Itapetinga e Pau Brasil, por tempo indeterminado. O episódio ressalta a tensão e a violência envolvendo questões fundiárias e indígenas no estado.