O governo brasileiro deu um passo decisivo ao acionar a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, em retaliação ao aumento de até 50% nas tarifas sobre produtos brasileiros. A medida, sancionada em abril, permite adotar contramedidas tarifárias diante de ações unilaterais que prejudiquem a competitividade dos exportadores nacionais.
A notificação oficial aos EUA foi encaminhada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão composto por secretarias de 10 ministérios e responsável por coordenar políticas de comércio exterior. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que “a Lei de Reciprocidade pode servir de instrumento para acelerar o diálogo e negociação com o governo norte-americano”.
Alckmin destacou ainda a estreita interdependência econômica com os Estados Unidos, exemplificando com o setor do aço. O Brasil é o terceiro maior comprador de carvão siderúrgico dos EUA, matéria-prima essencial para produção de aço usada na fabricação de automóveis, aviões e maquinário. Isso, segundo ele, reforça a complementariedade comercial entre os dois países.